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Comparativo Ar-Condicionado Split vs Portátil

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Comparativo Ar-Condicionado Split vs Portátil | Harpyja


Durante o verão aproveitamos para dar continuidade nos nossos testes com aparelhos de ar-condicionado. Considerando o que poderia ser feito com os produtos que estão na Harpyja, como o Philco Eco Inverter PAC9000ITFM9W de 9.000 BTUs, achamos que uma boa ideia seria não só apontar as diferenças entre os modelos, mas também aproveitar para explorar um produto que está conosco há algum tempo mas andava sem espaço, o Ar-Condicionado Portátil Midea Springer MPH-12CRV1 de 12.000 BTUs.


Em nossa comparação, vamos falar diretamente destes produtos, mas é importante reconhecer que grande parte dos problemas e vantagens apresentados aqui não são exclusivos destes modelos ou marcas, e sim intrínsecos à estrutura de ar-condicionados Splits e Portáteis. Ressaltamos isso para afirmar que é possível fazer observações semelhantes em outros modelos com a mesma proposta.


Instalação e utilização

Considerando a instalação dos dois produtos, é um fato que o Split é extremamente mais complexo de ser instalado, sendo necessário ter toda uma estrutura preparada para recebê-lo e necessitando contratar um técnico para instalação, o que adiciona custo e complexidade maior ao produto. Lembrando que já há no blog um texto com dicas sobre a instalação desse tipo de produto.


Por outro lado, o ar-condicionado portátil também possui limitações quanto a instalação, e não é um produto que basta ligar na tomada e pronto. Ao contrário de um ar-condicionado Split, onde é a unidade externa que fica responsável por dispersar o calor retirado do ambiente interno; no portátil ambas as unidades se encontram juntas no aparelho, e para que o produto consiga remover o calor do ambiente é utilizado um tubo plástico sanfonado que precisa ser instalado em uma janela para direcionar o ar quente para fora. Além disso, há necessidade de manter um balde atrás do produto para drenar o pinga-pinga da umidade que é removida do ar, e necessita ser esvaziado com certa frequência, ou posicioná-lo em cima de um ralo, abrindo dessa vez o compartimento de baixo.



Funções

 Ao comparar as funções entre esses dois produtos, ambos compartilham grande parte das mesmas e com os mesmos nomes (com exceção das funções “Display” e “Não Perturbe” que controlam a visibilidade do display de seus produtos), com o Split incluindo algumas funções a mais.



Um ponto a se considerar é que, neste modelo de ar-condicionado da Philco, existe a possibilidade da instalação de um kit Wi-Fi, o mesmo não pode ser dito do modelo portátil da Midea.


O que é singular do modelo da Midea, e poderia ser considerado como “função”, é justamente o fato de ser portátil. As rodas do produto e suas alças possibilitam o transporte para outros ambientes, mas é de bom tom fazer um adendo a respeito disso. Suas dimensões são grandes 70cmx34cmx37,5cm (AxLxP), o que sozinho não seria suficiente para debater sobre a portabilidade do ar-condicionado, a discussão se levanta por seu peso de 25,09 kg! Enquanto estiver usando em cômodos próximos, pode nem se perceber, mas caso enfrente escadas durante o transporte, o esforço é imediatamente perceptível.


Desempenho

Para o teste de desempenho, ambos os produtos foram posicionados em uma sala de cerca de 13m² com 6 sensores de temperatura posicionados em diferentes posições, os testes foram iniciados com a sala a uma temperatura inicial de 30°C. Através dos testes foi possível tirar os seguintes resultados:


O ar-condicionado da Philco configurado na opção “Resfriar” em 18°C conseguiu reduzir em cerca de 8,5°C a temperatura da sala em um período de 1 hora, começando a estabilizar em uma temperatura de cerca de 22°C. A temperatura de saída do ar da evaporadora (unidade interna) foi em torno de 15°C.

Já o portátil no mesmo período de tempo também na opção “Resfriar” a 18°C conseguiu reduzir a temperatura apenas em 2,3°C  estabilizando a temperatura em cerca de 27,5°C. A temperatura de saída do ar frio foi em torno de 9°C, enquanto que o ar quente expelido marcou 48°C, mostrando o motivo do direcionamento pela janela.


Mesmo comparando o modelo Portátil que possui 12.000 BTUs com o ar-condicionado da Philco com seus 9.000 BTUs, o modelo Split apresentou um desempenho consideravelmente superior ao portátil.

Consumo

O Split saiu na frente no quesito consumo. Por ser Inverter, a potência deste modelo da Philco é gradativamente controlada para atender o necessário, sem gastar a mais. Produtos deste tipo produzem bons resultados principalmente em estendidos períodos de tempo, onde estabilizam em potências baixas e aumentam de potência somente para efetuar a manutenção da temperatura do ambiente.


Em nosso teste, durante as 9 horas de funcionamento, o ar-condicionado Split da Philco consumiu 4,53 kWh, atingindo uma média de 0,504 kWh.

O ar-condicionado portátil não surpreendeu, com grande parte do período de funcionamento demandando potência próxima de 1300W. Como a variação de potência só ocorre na partida, concluímos o teste em pouco mais de 2 horas com o consumo de 2,82 kWh, marcando uma média de 1,296 kWh. O número é uma surpresa; mesmo que ar condicionados portáteis como um geral são bem menos eficientes que modelos split, a diferença no consumo de ambos foi absurda.

Amplitude sonora

Medindo a amplitude sonora de ambos os produtos, o Portátil da Midea marcou por volta de 60 dBA independente da configuração, enquanto que a unidade interna do ar-condicionado da Philco marcou 37 dBA no resfriamento mínimo, 47 dBA no resfriamento máximo e 53 dBA quando operando na função Boost; com a média de 45 dBA.

Ponderando, é verdade que em ar-condicionados estacionários a maior fonte de ruído é a unidade externa, geralmente não percebida por estar fora de ambientes de convívio; como modelos portáteis (ou de janela) incluem ambas metades em única estrutura, é de se esperar valores mais altos.

Limpeza

Em relação à limpeza, é necessário avaliar além do conjunto em si, e julgar a facilidade de lavar os filtros. Nesse sentido, os produtos são comparáveis: o material externo de ambos é parecido, e o acesso ao filtro é simples, com a limpeza sendo basicamente a mesma. A diferença se dá por fatores espaciais: com o Split se localizando fixado à parede e mais alto, uma situação um tanto mais complicada que limpar o portátil no chão.


Preço

Podemos elencar 3 fatores que influenciam no preço pago por seu produto: a compra do produto em si, a instalação, e o preço pago na conta de luz.


O preço pago na conta de luz pode ser calculado multiplicando o consumo de uma hora pelo número de horas que o produto ficou ligado e novamente pelo valor pago por kWh na sua região. Como o valor pago por kWh não se altera de produto para produto, precisamos nos preocupar apenas com o tempo de uso. Se considerarmos a situação do uso de “Resfriar”, onde é explícito que o Split é mais econômico, o preço pago por 1 hora de funcionamento deste modelo Portátil da Midea equivale a pouco mais de 2 horas e 30 minutos de funcionamento do Split da Philco.


Dado às características diferentes de transporte, pode ser que o modelo estacionário seja usado mais ou menos que o móvel, porém a diferença continua sendo significativa e favorece o ar-condicionado Split.


Levantando dados a respeito do custo de compra dos ar-condicionados em questão, na data de escrita deste texto, podemos encontrar o Philco Eco Inverter PAC9000ITFM9W à partir de R$1300,00, enquanto que o Midea Springer MPH-12CRV1 aparece no varejo à partir de R$2200,00; a diferença de valor entre os dois modelos é alta. Levando em conta que o valor de instalação ainda vai ser adicionado aos modelos Splits, a diferença diminui, mas o modelo da Philco continua na dianteira com certa folga.

Conclusão

 Após nosso debate, não seria surpreendente considerar o modelo Split como a opção mais vantajosa: custo, desempenho, ruído e consumo; os principais pontos e outros secundários apontam para esta escolha. Por outro lado, diria que o principal trunfo do modelo do Portátil é a capacidade de resfriar locais pontuais, impossível com um produto fixo que afetará um espaço inteiro por igual.

Quando se separa funções e as move para uma unidade do lado de fora de casa, muitos problemas não transparecem ao consumidor, porém ter ambas no mesmo ponto não só as somam em uma região de evidência, como também criam novas situações que precisam ser lidadas pelo usuário.

No fim do dia, a ideia de um ar-condicionado portátil é excelente: a flexibilidade de movimentá-lo para o cômodo que for necessário e a ausência de instalação atrai muitos consumidores desde sua criação, mas a execução é “turbulenta” no mínimo. É com pesar que por motivos múltiplos estas unidades falham em alcançar os níveis de qualidade entregues por suas contra-partes fixas.



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Sobre o autor

Gabriel é estudante de Engenharia de Controle e Automação, santista e fascinado por literatura, física e RPG de mesa. Hoje trabalha na Harpyja como Técnico de Produtos, se esforça para cometer menos erros e tenta entender os porquês da vida.

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